O Gigante Egoísta

Sinopse

Conhecida pela pesquisa e convergência de linguagens narrativas usando bonecos, sombras, máscaras, canto, cinema e videografismo, a  Artesanal Cia. de Teatro, criada em 1995 no Rio de Janeiro, estreia o espetáculo infantil “O Gigante Egoísta”, um dos poucos textos de Oscar Wilde dedicados ao universo dos pequenos. Publicado no livro “O Príncipe Feliz e Outras Histórias” (1888), este era uma dos contos preferidos do escritor inglês, que costumava contar para seus dois filhos - para os quais o livro é dedicado.

Depois de passar sete anos na casa de seu amigo Ogro, o Gigante descobre que crianças invadiram seu palacete para brincar em seu jardim. Ele expulsa as crianças de sua propriedade e constrói um muro que a separa do resto da cidade. Isolado e sozinho, o Gigante percebe que o inverno hospedou-se definitivamente em sua casa e que a primavera recusa-se a voltar ao seu jardim, agora eternamente coberto pelo gelo e pela neve. Porém a chegada de um menino que resolve brincar no jardim, apesar da sua proibição, traz de volta a primavera e faz com que o Gigante reconheça o quanto tinha sido egoísta.

O espetáculo, que estreou em agosto de 2013 em São Paulo, vem aprofundar a pesquisa narrativa que a Artesanal Cia. de Teatro vem desenvolvendo com uso de teatro de animação, neste caso mais especificamente bonecos de manipulação e máscaras teatrais. E vale-se do lirismo de Wilde para construir belas imagens plenas de poesia e ludicidade. Segundo Gustavo Bicalho, o maior desafio foi adaptar o texto: deixar aparente aquilo que pode ser interpretado na entrelinha, sem ferir o conceito original do conto. “Apropriar-se da obra de um outro autor, ainda mais com a importância de Wilde, não é uma tarefa fácil, mas é extremamente prazerosa”, diz.

O conto, que é uma crítica ao individualismo humano e da sociedade vitoriana da época, é também uma reflexão sobre o passar do tempo e sobre a natureza cíclica de todas as coisas. Para tratar da questão do tempo e do envelhecimento da personagem principal que conduz a história, a dupla de diretores usou o conceito de transição das quatro estações do ano, aproveitando uma frase do próprio texto. “Uma das partes mais bonitas é quando ele fala que a velhice é como o inverno. Não importa o tempo que ele dura, a primavera sempre chega no final. Com isso ele quer dizer que a morte é apenas a chegada de um novo ciclo da própria vida. A questão colocada é de não ter medo de envelhecer e de aproveitar o tempo como um aliado, que nos ensina coisas importantes”, completa.

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Censura: 05 anos

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